A crise financeira que assola o Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) tem deixado pais e mães dos pequenos pacientes do Distrito Federal com medo do que pode acontecer nos próximos dias. A unidade de saúde precisou fechar leitos e suspender cirurgias eletivas, entre outras medidas.
A pequena Samira Cairus (foto em destaque), de 2 anos, por exemplo, precisa de uma cirurgia para remover um cisto broncogênico no pulmão. O procedimento está previsto para o fim deste mês e, embora o HCB tenha prometido restabelecer todos os serviços a partir da próxima sexta-feira (9/1), a incerteza segue rondando a família.
“Estou com o coração na mão, orando para que minha filha não apresente nenhuma piora. Se ela precisar de um pronto-socorro com urgência, não haverá vaga na UTI no Hospital da Criança. Ela está estável, mas pode piorar caso a cirurgia demore a ser realizada”, desabafa a mãe, a autônoma Larissa Cairus, 33 anos.
“Já aconteceu de ela precisar de uma cirurgia de urgência, mas, na ocasião, ela já estava dentro do Hospital. Nesse momento, ela pode ter uma intercorrência e eu não conseguir tempo hábil nem para levá-la a algum lugar. Pensar nisso está me destruindo.”
Uma vida de luta
Desde que nasceu, Samira enfrenta problemas respiratórios. Com apenas dois meses de vida, ela foi diagnosticada com bronquiolite e Covid-19 de forma simultânea. “Aos seis meses, ela teve uma piora abrupta, respirava muito mal, estava em sofrimento. Passei quatro dias correndo pelas emergências dos hospitais públicos até conseguir interná-la”, relembra a mãe.
A dificuldade de respirar impedia Samira de se alimentar. “Com um ano e seis meses, consegui transferi-la para o HCB. Lá, vimos que ela tinha uma massa pulmonar que ocupava um lado quase por completo. Ela teve duas paradas cardiorrespiratórias durante cirurgias”, conta Larissa.
“Foram, ao todo, 2 meses e 8 dias internada e 13 procedimentos cirúrgicos envolvendo pulsão, transfusão, cateter venoso central…”, calcula a mãe. Até que, em setembro de 2025, uma tomografia apontou uma recidiva da lesão no pulmão. “Desde novembro, estamos aguardando uma cirurgia”.
Retomada prometida
Nesta quarta-feira (7/1), o HCB informou, em nota, que todos os serviços assistenciais serão restabelecidos a partir desta sexta-feira (9/1), após a Secretaria de Saúde (SES-DF) liquidar os valores necessários.
“A liquidação dos valores remanescentes referentes à decisão judicial (R$ 69 milhões) foi concluída nessa terça-feira (6/1). Devido ao tempo de processamento bancário e contábil, a compensação final está prevista para ocorrer entre os dias 7 (quarta-feira) e 8 (quinta-feira) de janeiro”, declarou o hospital.
Com isso, leitos deverão ser reabertos, cirurgias eletivas serão retomadas e os atendimentos a pacientes de outros estados, reativados. O pagamento de férias dos funcionários, suspenso na terça-feira (6/1), também deve ser normalizado.
Entenda a decisão judicial
- Em 2 de janeiro, o Tribunal de Justiça do DF (TJDFT) determinou que o DF pagasse R$ 69 milhões ao HCB.
- Segundo o Ministério Público do DF (MPDFT), a Secretaria de Saúde do DF deixou de repassar quase R$ 79,5 milhões à unidade, se somados os meses de outubro, novembro e dezembro de 2025.
- O hospital teria outros R$ 38,6 milhões a receber. Somado aos R$ 79,5 milhões faltantes, o déficit total chegaria a R$ 118,1 milhões.
- A secretaria disse que está previsto para esta semana o repasse da parcela de janeiro de 2026 no valor de R$ 33 milhões.
- Segundo a SES-DF, o restante dos recursos destinados à unidade hospitalar serão normalizados ao longo de janeiro.
O HCB possui 212 leitos no total, entre eles, 58 leitos de UTI.




