O Esquadrão de Bombas do Batalhão de Operações Especiais (Bope) desativou, nessa quarta-feira (14/1), um artefato semelhante a uma granada que estava localizado na QNN 3, em Ceilândia (DF). Mas nem sempre que há uma ameaça ou suspeita de bomba, a hipótese se confirma. Na verdade, em mais da metade das vezes, o alarme é falso.
Nos últimos seis anos, a Operação Petardo, ação integrada de segurança para lidar com casos de denúncias envolvendo artefatos explosivos, foi acionada 149 vezes.
Ou seja, em 149 ocasiões, algum cidadão acionou a Polícia Militar do DF (PMDF) afirmando que, em determinada localidade, havia um objeto que poderia ser ou conter uma bomba.
Em apenas 65 dos 149 chamados, havia de fato uma bomba no local para o qual os PMs foram acionados. Assim sendo, em 43% dos casos, a suspeita se confirmou; em 57%, não. Os números foram obtidos pelo Metrópoles por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
Os números divididos por ano oscilam pouco. O destaque é para 2023, quando a PMDF recebeu 42 chamados para suspeitas de bombas, e em 13 deles havia explosivos ou artefatos explosivos no local mencionado.
À época, o ano começou com uma ocorrência, quando, em 1º de janeiro de 2023, a equipe de segurança do Metrô-DF encontrou uma sacola suspeita e acionou a Operação Petardo. Três horas depois, militares do Bope constataram que tratava-se de dejetos de obra.
Entre 2020 e 2025, os anos de 2020 e 2021 foram os únicos em que a maioria dos chamados (mais de 50% das ocasiões) resultou em desativação de explosivo ou artefato explosivo.
Em 2022, na véspera de Natal, um trio colocou uma bomba perto do Aeroporto Internacional de Brasília. A bomba foi acoplada a um caminhão-tanque, abastecido com 60 mil litros de querosene de aviação, que ia entrar na área do terminal. Os autores do atentado estavam descontentes com a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e queriam gerar o que chamaram de “comoção social”. Wellington Macedo de Souza, George Washington de Oliveira Souza e Alan Diego dos Santos Rodrigues são réus no Supremo pelo caso.
Confira no gráfico:
Plano Piloto lidera casos
Ao dividir os casos por região, nota-se que o Plano Piloto concentra a grande maioria das demandas relacionadas a bombas: foram 59 acionamentos entre 2020 e 2025, 39% do total de demandas no período.
O tenente-coronel Zairo Silva, comandante do Esquadrão de Bombas do Bope, explica que a premissa do batalhão é a prevenção. Por isso, é comum que o número de “falsas bombas” seja maior do que o de casos reais de explosivos ou artefatos explosivos.
“Embora hoje existam meios tecnológicos como fotos e acesso remoto, nós nos deslocamos, por precaução, aos locais das ocorrências mesmo após analisarmos as imagens”, afirma o comandante do batalhão de operações especiais.
“A gente tem que trabalhar com a premissa da prevenção”.
Ao chegar em um endereço ou via pública em que uma bomba teria sido deixada, o Esquadrão de Bombas do Bope segue um protocolo de ação para descobrir se o artefato é explosivo e, se sim, desativá-lo.
“Usamos aparelhos de raio-x, robôs, braços telescópicos, roupas de aproximação, entre outras coisas, tudo para evitar risco ao militar e à comunidade em geral”, explica o tenente-coronel Zairo Silva.
Por fim, caso os militares constatem que o objeto encontrado tem dano explosivo, o esquadrão desativa o artefato tentando preservar o item o máximo possível. “Temos que preservar a prova para investigações futuras. Assim, utilizamos utilizando canhões de água para ter o mínimo de efeitos colaterais para com o objeto”, finaliza o tenente.

