Raimundo Neto, de 58 anos, pai de uma das vítimas dos técnicos de enfermagem presos pela morte de três pessoas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, ficou sabendo da mudança na classificação da morte do filho, Marcos Raimundo Fernandes Moreira, 33 anos, para homicídio pela televisão.
Assim que soube da mudança na classificação da morte do filho, Raimundo foi até o hospital para pedir esclarecimentos.
Em entrevista ao Metrópoles, Raimundo contou que o filho deu entrada no hospital com dor de estômago e nas costas, ficou internado a partir de meados de novembro e morreu em 1º de dezembro.
Segundo Raimundo, durante as últimas visitas o filho parecia apresentar melhoras. No dia seguinte, porém, foi informado da morte e aceitou a explicação de que ela teria ocorrido após um procedimento.
Abalado, ele diz confiar em Deus e na Justiça, mas cobra esclarecimentos e responsabilização. “Eu quero justiça pelo meu filho e pelas outras vítimas também”, declarou.
Apesar do relato do pai, outros familiares esclarecem que foram notificados pelo Anchieta sobre o caso de Marcos Raimundo.
Entenda o caso
- A primeira fase da operação foi deflagrada na manhã de 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE).
- Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente por ordem judicial. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços localizados em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do Distrito Federal.
- Durante as diligências, os policiais recolheram materiais considerados relevantes para a apuração, que passaram a ser analisados pelos investigadores.
- A polícia busca esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas.
- As investigações tiveram um novo avanço na última quinta-feira (15/1), com a deflagração da segunda fase da Operação Anúbis.
- Nessa etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou novas apreensões de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.
Técnicos de enfermagem presos
Os técnicos de enfermagem presos sob acusação de matar ao menos três pacientes dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF), são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camille Alves da Silva.
O Metrópoles apurou que o trio, detido pela PCDF, teria matado João Clemente Pereira, 63 anos, servidor da Caesb; Marcos Moreira, 33 anos, servidor dos Correios; Miranilde Pereira da Silva, professora aposentada, de 75 anos. A motivação do crime ainda é investigada.
O caso foi denunciado às autoridades pelo próprio hospital, após observar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos na UTI. “O hospital instaurou investigação, por iniciativa própria”, afirmou a instituição em nota.
Inicialmente, os presos tentaram negar os crimes dizendo que apenas aplicavam os medicamentos que eram indicados pelos médicos. No entanto, ao serem confrontados com as provas dos crimes, os investigados não apresentaram arrependimento e demonstraram frieza total, segundo o delegado. Ao confessar o crime, o grupo não explicou a motivação.
A investigação deverá indiciar os suspeitos pelos crimes de homicídios dolosos qualificados com impossibilidade de defesa da vítima.

